Períodos e cronologia
| Cronologia | Período |
|---|---|
| Pré-dinástica e proto-dinástico | c. 4500-3000 a.C. |
| Época Tinita ou Época Arcaica | 3000-2660 a.C. I e II dinastias |
| Império Antigo | 2660-2180 a.C. III a VI dinastias |
| Primeiro Período Intermediário | 2180-2040 a.C. VII a XI dinastias |
| Império Médio | 2040-1780 a.C. XI e XII dinastias |
| Segundo Período Intermediário | 1780 a 1560 a.C. XIII a XVII dinastias |
| Império Novo | 1560-1070 a.C. XVIII a XX dinastias |
| Terceiro Período Intermediário | 1070-664 a.C. XXI a XXV dinastias |
| Época Baixa | 664-332 a.C. XXVI a XXX dinastias |
| Época greco-romana | |
| Período ptolemaico | 332-30 a.C. |
| Domínio romano | 30 a.C.-359 d.C. |
Primórdios
Em
tempos recuados o Egito foi uma savana. Quando se inicia o Neolítico, por volta de 6000 a.C., o território
já
tinha adquirido as características áridas que o caracterizam atualmente. As principais culturais do
Neolítico no Egito estão documentadas no Faium e em El-Omari (norte) e em Tasa e Mostagueda (sul).
O período pré-dinástico (período anterior às dinastias históricas) vê nascer no Alto Egito três culturas: a badariense, a amratiense e gerzeense. Esta última civilização acabará por se estender a todo o Egito. Nesta época produzem-se instrumentos de cobre e pedra, assim como uma cerâmica vermelha decorada com motivos geométricos e animais estilizados.
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Teria sido Narmer, um rei do Alto Egito, quem unificou as duas regiões por volta de 3100 a.C. Uma placa de xisto, conhecida como a Paleta de Narmer, comemora este evento. Um dos lados desta placa mostra Narmer usando a coroa do Alto Egito (a coroa branca), enquanto que o outro lado mostra-o com a coroa do Baixo Egito (a coroa vermelha) num cortejo triunfal. Narmer é identificado por alguns egiptólogos com Menés, nome pelo qual é designado o primeiro rei do Egito na lista de Maneton.
Época Tinita
A Época Tinita corresponde às duas primeiras dinastias egípcias. De acordo com a informação transmitida por Maneton, o Papiro
Real de Turim e a Lista Real de Abido o primeiro rei do Egito unificado foi Menés, que alguns egiptólogos identificam com Narmer
e outros com Aha.
Segundo Maneton estas dinastias tiveram como capital a cidade de Tis, cuja localizaço é até hoje desconhecida, embora se saiba que estaria no Alto Egito. Porém, como revela a investigação, a capital do Egito teria sido movida a certa altura para Mênfis.
Durante a I dinastia assistiu-se ao desenvolvimento da escrita hieroglífica.
Os soberanos da Época Tinita dinastias lançaram as bases
para a futura grandeza do Egito, combatendo os Núbios (a sul), os Líbios (a oeste) e os Beduínos (a leste), populações que tinham como
principal objetivo fixar-se no Egito.
As manifestações artísticas
deste período
revelam já uma grande perfeição e o culto dos mortos e a mumificação
já eram praticados. O culto
da maior parte das divindades egípcias também se encontra atestado.
Império Antigo e Primeiro Período Intermediário
Este período iniciou-se com a III dinastia, existindo algumas dúvidas quanto a quem terá sido o seu primeiro rei, se Sanakht ou Djoser
(este último terá sido filho ou irmão do último rei da II dinastia).
A III dinastia manteve a capital em Mênfis, cidade que se transformou num grande centro econômico e cultural.
O rei Djoser apoiou-se na sua ação governativa no vizir (uma espécie de "primeiro-ministro") Imhotep. Para além de vizir, Imhotep foi
também arquiteto e muito mais tarde foi transformado em deus, considerado filho da divindade Ptah. Foi ele quem projetou a construção da
denominada "pirâmide em degraus" em Sakara (embora do ponto de vista geométrico não se trata de uma pirâmide), necrópole na qual se situam a
maioria dos túmulos reais do Império Antigo. Esta "pirâmide", com 61 metros e que resultou da sobreposição de seis mastabas, seria o primeiro
passo na evolução de uma arquitetura
cada vez
mais grandiosa que atinge o seu apogeu durante a IV dinastia, com as Pirâmides de Guiza.
Estava integrada num conjunto mais amplo,
um santuário onde os sacerdotes realizavam os ritos funerários para o rei defunto.
A IV dinastia teve em Seneferu o seu primeiro rei que conduziu campanhas militares contra os habituais inimigos dos egípcios (Núbios, Líbios e Beduínos). Destas lutas resultou o domínio do Egito sobre a Baixa Núbia. O segundo rei desta dinastia, Khufu, (Quéops) ordenou a construção da maior das três pirâmides de Guiza (Gizé), que possui cerca de 2,3 milhões de blocos de pedras e 146, 5 metros de altura (atualmente possui apenas 139 metros de altura).
A construção das pirâmides
encontrava-se dependente de um clima de paz e estabilidade. Ao contrário de uma idéia feita, que já
se encontrava presente nos autores da Antiguidade, estas pirâmides não foram construídas por escravos, mas por trabalhadores
desocupados durante o período de cheias do Nilo. Segundo as concepções da época, o rei era um intermediário entre os deuses
e os
seres humanos; assim participar na construção das pirâmides que abrigariam o corpo do rei era considerado como um ato de piedosa
religiosa.
Na V dinastia ocorre a afirmação do clero de Heliópolis, cidade próxima de Mênfis, passando os reis a considerarem-se filhos do deus Rá. Este deus adquiriu grande importância e para ele foram construídos estruturas arquitetónicas conhecidas como templos solares, dos quais apenas foram descobertos dois, o de Userkaf e de Niuserré.
A VI dinastia, composta por sete soberanos (entre os quais possivelmente a primeira mulher a comandar o Egito, Nitócris) é geralmente considerada a última dinastia do Império Antigo. Durante a parte final da dinastia, e particularmente durante o longo reinado de Pepi II (que teria durado 94 anos), assiste-se a uma decadência do poder real. Os administradores das províncias, os nomarcas, tinham-se tornado bastante poderosos e independentes do poder central.
O Primeiro Período Intermediário assistiu à afirmação de duas dinastias rivais, a de Heracleópolis Magna (Baixo Egito) e a de Tebas (Alto Egito). As mudanças climáticas a que o território foi sujeito neste período, que tornaram o clima mais seco, provocaram fracas colheitas e a fome.
Império MÉdio
Mentuhotep II, rei de Tebas, conseguiu reunificar o Egito,
fixando a capital em Tebas. Amenemhat I (ou Amenemés), inicia a XII
dinastia, transladando a capital para Iti-taui (nome que significa "aquela que conquista o duplo país"), a sul de Mênfis. Constrói
também fortalezas no delta e na região a oeste cujo objetivo era evitar os ataques estrangeiros. Progressivamente, os nomarcas perderam
a sua autonomia local e submetera-se ao poder dos reis.
O sucessor de Amenemhat I, Senuseret I (Sesóstris), associado ao trono ainda durante a vida do seu pai, teve como preocupação assegurar o controle das minas da Núbia. Amenemhat III, sexto rei da XII dinastia, ordenou a realização de grandes trabalhos na área do oásis do Faium, que se tornaria um importante centro agrícola. Em Hawara, perto deste óasis, Amenemhat mandou construir um grande templo funerário, que Heródoto considerava mais belo que as grandes pirâmides e que está hoje perdido devido à sua destruição. O último soberano desta dinastia foi uma mulher, Sebekneferu, a primeira mulher cujo governo do Egito é atestado com segurança.
O Egito do Império Médio manteve relações diplomáticas com Fenícia e com Creta, tendo também realizado expedições comerciais ao Punt.
A XIII dinastia, com dezessete faraós - o que revela uma certa instabilidade política - assistiu à tomada
das fortalezas do sul do Nilo
pela Núbia. Por volta de 1800 a.C. povos do Médio Oriente fixam-se na região oriental do Delta. Em consequência desta invasão os soberanos
egípcios deixam o delta, a caminho do sul do país.
Segundo PerÍodo IntermediÁrio
Os egípcios referiam-se aos povos semitas que se fixaram no delta como Heka-khasut, "chefes de terras estrangeiras". Estes povos são conhecidos pelo seu nome grego, Hicsos. Os Hicsos eram povos oriundos da região da Síria que progressivamente usurparam o poder, tomando o título de faraós. Dominaram o Egito a partir da sua capital, Aváris, no nordeste do delta. A XV e XVI dinastias da história do Antigo Egito foram constituídas por Hicsos.
Os Hicsos introduziram elementos novos na civilização egípcia como o cavalo, os carros de guerra, novos métodos de fiação e tecelagem e novos instrumentos musicais.
A XVII dinastia, sediada em Tebas, era uma dinastia nacional, contemporânea à dos Hicsos. Se de início se tornam vassalos dos Hicsos, aos poucos começam a expulsá-los.
ImpÉrio Novo
Ahmés (ou Amósis), primeiro rei da XVIII dinastia, conclui a tarefa de expulsão dos Hicsos, dando início ao Império Novo. A reunificação do
país foi realizada a partir da cidade de Tebas, que seria a capital do Egito durante a maior parte deste período. Ahmés esforçou-se por
melhorar a economia, tendo as fronteiras do país sido alargadas para oeste e para o sul. Este rei iniciou uma política expansionista e
militarista que seria continuada pelos seus sucessores. Durante a XVIII Dinastia o Antigo Egito controlaria territórios que compreendem o
que é hoje o Sudão, bem como a região da Palestina e da Síria, até ao rio Eufrates.
Tutmés III, quinto rei desta dinastia, foi talvez o melhor representante desta tendência imperalista, com as suas dezessete campanhas militares na região da Síria-Palestina. Hatchepsut, a sua madrasta, tinha governado o Egito na sua menoridade. Hatchepsut tinha sido esposa e meia-irmã de Tutmés II, pai de Tutmés III. De início a rainha opta por governar na qualidade de representante de Tutmés III, mas em poucos anos decide adotar títulos reservados aos faraós (como "Senhora dos Dois Países"), mandando erguer dois obeliscos em Karnak (ato reservado aos faraós).
Para legitimar o seu governo, Hatchepsut apresentou-se como filha de Amon, deus que se teria unido à sua mãe. Foram duas década marcadas em geral pela paz, com o envio de uma expedição ao Punt. Após a morte de Hatchepsut, Tutmés III dedicou-se a apagar as inscrições que continham o nome da madrasta. Foi sucedido pelo seu filho Amen-hotep II, que foi por sua vez sucedido por Tutmés IV. Amen-hotep III governou durante quarenta anos, numa era que seria marcada pela paz, prosperidade e pelo florescer das artes.
O seu filho, Amen-hotep IV, inicia uma revolução religiosa encaminhada no sentido do "monoteísmo", na qual o culto deveria ser reservado a
Aton, o disco solar. Este faraó, cuja esposa foi a famosa Nefertiti, alterou o seu nome para Akhenaton ("O Esplendor de Aton") e abandonando
Tebas, fixa-se numa nova capital mandada por si edificar, Akhetaton ("Horizonte de Áton"), a atual Amarna (por esta razão este conturbado
período é designado como o "período de Amarna"). Os sucessores de Akhenaton, entre os quais o "faraó-menino" Tutankhamon,
conhecido pelos
tesouros do seu túmulo, abandonaram estas concepções religiosas, retornando às antigas.
Ramsés II, terceiro rei da XIX dinastia, entrou em guerra com os Hititas da Ásia Menor por causa do controle da Síria. Na Batalha de
Kadesh nenhuma das partes se consagrou vencedora, apesar das fontes egípcias apresentarem o episódio como uma vitória do país. O conflito
foi terminado com um tratado de paz, o primeiro de que há conhecimento na história da humanidade. Os Egípcios e os Hititas dividem o controle
daquela região e Ramsés casa com uma das filhas do rei hitita. Foi também Ramsés II que ordenou a construção dos templos de Abu Simbel.![]()
Para aproximar-se de seus inimigos e dos territórios que pretendia dominar, Ramsés II mandou construir uma nova capital, perto do delta do Nilo. Esta magnífica cidade, a que Ramsés deu o nome de Pi-Ramsés, tinha uma incrível estrutura militar, com um grande quartel-general que abrigava, inclusive, cavalos para a guerra e um complexo industrial bélico que produzia todo o tipo de armas e também carros de batalha. Ramsés II também dispunha de uma rede de fortalezas e um exército profissional bem pago. Ramsés III, da XX dinastia, teve de combater a invasão dos Povos do Mar e dos Líbios, que conduziram o Egito a um novo período de decadência. Os últimos reis da XX dinastia tiveram um papel apagado.
Terceiro Período IntermediÁrio e Época Baixa
Durante o Terceiro Período Intermediário o Egito é dominado por algumas dinastias de origem estrangeira. A partir da cidade de Tânis a XXI dinastia governou apenas o Delta, enquanto que no sul existia uma dinastia paralela composta pelos sumo sacerdotes de Amon. Os membros da XXII e XXIII dinastias são de origem líbia, embora já tivessem adotado a cultura egípcia. No século VIII a.C., a região da Alta Núbia, o Kush, conquista o Egito, onde instala um dinastia, a XXV.
Os Assírios acabariam por derrotar a dinastia núbia, impondo como rei Psametek I (primeiro soberano da XXVI dinastia), um princípe da cidade de Sais, no Delta. Contudo, Psametek acabará por se rebelar contra os Assírios, tendo reunificado o país. O último rei da XXVI dinastia, Psametek III, seria derrotado pelos Persas de Cambises II que ocupam o Egito a partir de 525 a.C. e constituem a XXVII dinastia.
A invasão de Cambises ficou conhecida pela estratégia aplicada pelos persas: sabendo que os Egípcios tinham verdadeiro culto e temor aos gatos, Cambises colocou, a frente de cada linha de invasão, balaios repletos de gatos, que fizeram com que a população recuasse e não resistisse tanto à invasão.
Época Greco-romana
Em 404 a.C. os Egípcios conseguiram reconquistar o poder, mas os Persas tomam de novo o país em 343 a.C.. Em 332 a.C.
Alexandre Magno conquista o Egito; quando morre, em 323 a.C., Ptolemeu, um dos seus generais, torna-se governador e em 305 a.C.
rei. Ptolemeu, de origem macedónia, dá origem à dinastia dos Lágidas que governa o Egito nos próximos três séculos. A última
representante desta dinastia foi a famosa rainha Cleópatra VII, derrotada em 31 a.C. pelos Romanos na Batalha de Ácio. Em 30 a.C.
o Egito transformou-se numa província de Roma, administrada por um prefeito de origem equestre. Enquanto província, o Egito
teve uma importância fundamental para Roma, pois era do seu território que vinha o cereal do império.
Fonte: Wikipédia.
